Cores do Japão – O azul de Hiroyuki Shindo


Obra em azul: Detalhe da obra 翳・Ⅰ de Hiroyuki Shindo, reproduzida do catálogo do Musée de Somé Seiryu de Kyoto. Telhado de palha: Detalhe da foto de Gil Gosch obtida em Miyama, Kyoto, Japão.



Foi muito difícil definir qual seria a primeira experiência que abriria esta série "Cores do Japão". São tantas as imagens, sentimentos, aprendizados e inspirações trazidas pelas minhas memórias da viagem ao Japão! Esta viagem foi resultado do prêmio recebido pela obra têxtil "Cada Passo", em 2016. Na minha última postagem, conto a história completa dessa façanha que me abriu as portas ao tingimento natural.


Lá no Japão, no outono de 2017, descobri um mundo que preserva e dá muito valor aos mestres artesãos, que guardam as técnicas e os segredos do tingimento natural e da tecelagem. Ao mesmo tempo que preservam as tradições japonesas, desenvolvem em seus trabalhos questões estéticas e éticas bem contemporâneas. Pude ver com meus próprios olhos o diálogo incessante, em cada esquina, entre o novo e a tradição.


Talvez a minha visita ao artista Hiroyuki Shindo tenha sido o auge dessa percepção. Artista têxtil contemporâneo, Hiroyuki Shindo nasceu em 1941, em Tokyo. Ele mora na região de Miyama, em um vilarejo nas montanhas, a 60 quilômetros ao norte de Kyoto, onde tem seu atelier desde 1981. Em 2005 inaugurou o The Little Indigo Museum, que expõe peças tingidas com índigo. Shindo sensei dedicou sua vida para preservar uma tradição tão japonesa que é o tingimento de azul com índigo ou, como chamam os japoneses: o aizome. Tive o grande privilégio de conhecer um átimo desse incrível universo azul e nesta postagem tento compartilhar essa preciosidade com você.




Um remoto vilarejo aos pés das montanhas



Miyama é um desses lugares únicos no mundo. Macios campos de arroz nos conduzem aos telhados de palhas, alguns consados pelo tempo, outros novinhos em folha. Suas poucas casas se mimetizam com a paisagem e parece que estamos andando dentro de um conto do Japão rural, em um tempo muito remoto. Acima dos telhados avistamos os esbeltos pinheiros que se erguem nas montanhas, complementando o colorido outonal.